Blog

abuso sexual
Educação para os filhos Sexualidade

Abuso sexual e pedofilia: Precisamos falar sobre

Por ser um tabu e um assunto extremamente delicado, pouco falamos sobre no ambiente familiar e social. Entretanto, saber a diferença entre o abusador sexual e o pedófilo é fundamental. Assim, garantimos a saúde física e emocional de nossos filhos. O conhecimento atua na prevenção dessa problemática.

Definições importantes:

– Estupro:

Conjunção carnal, masturbação, toques íntimos, a introdução de dedos ou objetos na vagina, sexo oral e sexo anal. (Ministério da Saúde)

 – Abuso Sexual:

Trata-se de uma situação em que uma criança ou adolescente é invadido em sua sexualidade e usado para gratificação sexual de um adulto ou mesmo de um adolescente mais velho. Pode incluir desde carícias, manipulação dos genitais, mama ou ânus, voyeurismo, exibicionismo ou até o ato sexual com ou sem penetração. Muitas vezes o agressor pode ser um membro da própria família ou pessoa com quem a criança convive, ou ainda alguém que frequenta o círculo familiar. O abuso sexual deturpa as relações sócio afetivas e  culturais entre adultos e crianças ou adolescentes ao transformá-las em relações genitalizadas, erotizadas, comerciais, violentas e criminosas.” (Ministério Público do Distrito Federal e Território)

O abusador sexual não é aquele “mostro” que a mídia coloca, e que os pais acreditam. Pelo contrário, normalmente são pessoas próximas e de confiança da criança. É uma pessoa que normalmente convive em harmonia com a sociedade.

Considerando que na maioria das vezes o abuso acontece no seio da própria família fica mais difícil a denuncia. Pois existe a vergonha em assumir perante a sociedade o acorrido. Pensando que essa criança está em total vulnerabilidade e muitas vezes sendo chantageada por alguém em quem confia, quando ela chega a comentar é ignorada ou desacreditada. Ou ainda julgada de que está inventando coisas para chamar atenção. Assim, aumentando ainda mais seu trauma pela falta de acolhimento.

– Pedófilo:

A psicóloga Maria Luiza Moura, que atua na área dos direitos humanos de crianças e adolescentes também nos alerta dessas diferenças. O pedófilo é considerado uma pessoa doente e que consta na Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados á Saúde (CID).  Esse apresenta transtorno de personalidade causado pela preferência sexual por crianças ou adolescentes. É uma perversão sexual que envolve fantasias sexuais. O corpo infantil é o objeto erótico desse desejo.

O pedófilo, por possuir uma sexualidade imatura e infantil, busca nas crianças sua parceira, por serem mais vulneráveis e por haver  uma identificação já que temem um relacionamento afetivo sexual com adultos. Mesmo assim, não quer dizer que todo pedófilo seja um abusador sexual, ou que todo abusador sexual seja um pedófilo.

Tanto a pedofilia como o abuso sexual estão presentes na calada do nosso cotidiano.

De acordo com a BBC Brasil, em 2016, o sistema de saúde registrou 22,9 mil atendimentos a vítimas de estupro no Brasil. Em mais de 13 mil deles – 57% dos casos – as vítimas tinham entre 0 e 14 anos. Dessas, cerca de 6 mil vítimas tinham menos de 9 anos. As estatísticas são do SINAM (Sistema de Informações do Ministério da Saúde).   Esse registra casos de atendimento de diferentes ocorrências médicas desde 2011.

De acordo com a UNIFEC: 

” todas as crianças e todos os adolescentes têm o direito de ser protegidos contra qualquer tipo de violência, seja aquela que acontece no ambiente familiar, na comunidade, em consequência de conflitos armados ou de violência urbana. Todas as formas de violência vivenciadas por meninas e meninos, independentemente da natureza ou gravidade do ato, são prejudiciais. Além da dor e do sofrimento que causa, a violência mina o senso de autoestima das crianças e dos adolescentes. Muitos estudos demostram uma alta probabilidade de que meninas e meninos vítimas de violência ou expostas a ela utilizem violência para solucionar disputas e conflitos quando forem adultos.

Como podemos ajudar nossa sociedade nesse processo tão delicado e de fundamental importância?  A consciência, educação, escuta ativa e o amor fazem a diferença para a formação de nossos filhos. Somos todos responsáveis, por isso, você também pode e deve se engajar nessa causa.

Conheça esses projetos:

 O Proteja Brasil é um aplicativo gratuito. Ele permite toda pessoa se engajar na proteção de crianças e adolescentes, fazendo denuncias. Essas são encaminhadas diretamente para o Disque 100, serviço de atendimento do Governo Federal.

123 Alô:É um serviço que permite que a criança e adolescente seja ouvido quando quiser dizer o que sente e o que pensa. Solidão e falta de ter com quem conversar são hoje os principais problemas relatados nesses atendimentos.

De acordo com Childhood, site que atua pela proteção da infância “A procura maior é de adolescentes de 13 a 15 anos com muita dificuldade para expressar os seus sentimentos para familiares, professores ou colegas, porque não recebem a atenção daqueles que deveriam cuidar de sua educação. Eles reclamam muito de não terem ninguém que os escute”.

De acordo com o ECA – Estatuto da Criança e Adolescente, “Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.”

Nós, da TalkB4, acreditamos e queremos um mundo melhor para nossos filhos. E você?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *