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Educação Tabu

Bett Educar: temas delicados deveriam ser ensinados apenas pelas famílias? E as escolas?

By: Cassi Buosi

Sabemos que temas delicados são desafiadores de serem conversados com crianças e jovens, afinal há muita subjetividade, vieses, questões culturais, sociais e até mesmo uma certa ética envolvida em torno deles. Depressão, suicídio, uma devida compreensão sobre relações afetivas – começando por si próprio, luto, automutilação…mas qual o papel da família nisso tudo e como a escola vem contribuir em meio a este contexto como um todo?

Alguns destes temas foram debatidos na última Bett Educar 2019, principal feira de educação no país que acontece anualmente e concluiu sua 26ª edição no último dia 17/maio. Porém, o que a equipe da TalkB4 observou é que de uma forma geral, na proporção de temas, palestras, workshops e painéis de debates gerais em toda a feira, estes temas tiverem relativamente pouco destaque e espaço. Naturalmente entendemos que a expectativa do próprio público da feira não é se focar nestas tratativas – sim, é apenas uma suposição de nossa parte.

Esse final de semana outra feira de bastante destaque tem início: Festival Path. Será que os temas delicados serão abordados também?

Tal questionamento é para outro momento, mas a pergunta que nos fazemos aqui é: afinal, a escola está a serviço de quem, como já diria a especialista TalkB4 Joana Moraes?

Afinal, a escola está a serviço de quem? Qual seu papel na sociedade em torno de temas delicados?

Em uma das palestras sobre formação integral, apresentada pela Simone Andre – Especialista em Educação e design de Políticas Educacionais voltadas à inovação curricular e formação de educadores – perguntei ao final sobre como orientar professores e toda a equipe escolar em relação e estas tratativas, especialmente a mais “íntima, delicada, tabu” de todas: questões que permeiam uma melhor compreensão de sua própria sexualidade, afeto, desejos e empatia ao próximo. Sua resposta não poderia ser melhor: Simone nos respondeu que:

“A equipe da escola precisa mesmo ser preparada para lidar dentro deste novo contexto inédito e lembrar que errar é humano. Não tem problema nenhum errar, desde que a gente aprenda com eles. Precisamos então criar ambientes propícios ao erro. E conscientizar os pais sobre a importância disso, ao menos tempo que trabalhamos este conceito prático com os alunos. Tudo de forma bem acompanhada por parte dos tutores, que podem amarrar muito bem todas as arestas. É primordial se lembrar que não devem fazer deste momento um espaço de terapia – apenas acolhimento, onde tenham ferramentas para mediar conflitos e saberem principalmente como e para onde encaminharem a questão.”

Nós, da TalkB4, complementamos com o seguinte: ao encaminhar, é preciso uma certa sensibilidade e cuidado d@ professor@ para não necessariamente entregar o “ouro” a “potenciais opressores”, já que uma vez feito isso, é alta a probabilidade da relação de confiança construída entre alun@ e professor@ ir toda por água abaixo. E o objetivo não é esse certo?

Inovação na educação ou educação transformadora? O que de fato buscamos?

Então, como se abrir ao novo se não há possibilidades de irmos além? Os pais demandam cada vez mais escolas “inovadoras” (seja lá qual for o sentido disso, já que existem diversas vertentes), mas quando se deparam com temas delicados, tendem a resistir demais a novos modelos de formação, diálogo e orientação.

A questão da inovação, inclusive, é muito presente nos debates articulados no Festival Path, cujo principal objetivo é conectar e inspirar a comunidade criativa, estimulando o diálogo entre pessoas que desejam inovar a forma de pensar e agir.

Devemos criar mais espaços de abertura às falas, aos sentimentos. Fiquei muito contente por reconhecer em sua experiente orientação – digo, a resposta da Simone André – que a TalkB4 está nesse caminho, contribuindo com escolas, equipe escolar, outros especialistas envolvidos de alguma forma nas tratativas de temas delicados, ajudando-os a se entenderem melhor entre si, com as crianças e jovens e ainda de quebra, ajudando-os a trazer os pais para mais perto da escola e principalmente, de seus próprios filhos e de sua comunidade. Afinal, #somostodosresponsáveis.

TalkB4. Melhor você. Antes.

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