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Educação para os filhos

BONS PAIS x BONS FUNCIONÁRIOS

Pais que trabalham fora enfrentam uma grande batalha dos dois lados, mostra estudo.
(Artigo publicado em 26 de Junho de 2019 pela Universidade da Georgia, USA.)

 

Conceitos competitivos sobre si mesmos podem levar os pais que trabalham fora a questionarem quem eles realmente são.

Os pais que trabalham fora, quando exigem para si mesmos ter uma reputação impecável como funcionários e também como pais, correm o risco de enfrentar sérias consequências, de acordo com uma nova pesquisa da Universidade da Geórgia.

Tanto perante a comunidade quanto em seus escritórios, os pais que trabalham são sempre vistos como “profissionais-família”, e isso inclui também um julgamento de suas competências no gerenciamento de suas vidas domésticas e profissionais, diz Laura Little, professora de Administração e Coautora da pesquisa. Os julgamentos geralmente funcionam em uma escala móvel, onde o sucesso de um lado pode sinalizar a falha no outro.

“Em nossas experiências estudando pais que trabalham fora, ouvimos muitas pessoas dizerem coisas do tipo: ‘Ele é um ótimo funcionário, mas nem sabe o nome de seus filhos’. Com muita frequência, percebíamos julgamentos duplos que aparentavam estar interligados entre si”, completa Laura. “Queríamos descobrir se, ao enfrentarem tais julgamentos, esses pais sofriam influência do comportamento de outras pessoas. Poderia ser uma mãe que não quisesse ficar até tarde no trabalho por puro medo de que as pessoas pensassem que ela seria uma péssima mãe, ou mesmo um pai que pretendesse não tirar folga para assistir seu filho jogar porque as pessoas poderiam pensar que ele seria menos dedicado à carreira do que os demais.”

A pesquisa, publicada no informativo “Academy of Management Review” dos Estados Unidos, apresentou a seguinte situação: quando pais que trabalham sentem que não estão cumprindo com os ideais desejados, eles se engajam assumindo certos comportamentos de gerenciamento de autoimagem, visando alterar a visão que os outros têm deles. Tal postura pode causar grande nível de estresse ou levar a uma total mudança de suas próprias identidades.

“A discrepância na imagem de quem achamos que devemos ser em nosso ambiente profissional e a imagem de quem realmente somos, pode se tornar infinitamente difícil de se administrar. Os funcionários desenvolvem várias estratégias para se encaixarem melhor em determinados padrões”, diz Laura. “E o que, de fato, nos interessa é saber se nesse processo de criação desta imagem nós não perdemos quem somos?”

Por exemplo, funcionários que se sentem julgados como pais ruins podem enfatizar sua vida doméstica enquanto estiverem em seus ambientes de trabalho, a fim de estimular a impressão de que são bons pais. Porém, na verdade, eles são bons pais, ainda que sejam extremamente comprometidos com seus trabalhos, eles também podem ser altamente envolvidos na criação de seus filhos.

“Muito do que sabemos sobre nossa identidade (sobre quem somos) e a imagem que causamos (as impressões que outros tem de nós) nos faz acreditar que o que somos determina a imagem que nós passamos de nós mesmos.”, complementa Laura. “E nós argumentamos que o contrário também é verdadeiro: tentar criar uma determinada impressão de si mesmo na mente de outras pessoas pode ser desestabilizador para a sua própria identidade interna”.

Às vezes, quando a autoimagem de um funcionário não se alinha com a imagem familiar que seus companheiros de trabalho tem dele, esse funcionário tende a alterar a sua imagem projetada ou a sua própria identidade de tal forma que acaba enfrentando um desconforto, um certo conflito entre as suas atitudes e o que ele acredita. Por exemplo, um pai que é acostumado a sempre receber avaliações positivas acreditando ser um funcionário exemplar, pode começar a se desassociar de seu papel como pai.

Quando isso acontece, os pais que trabalham muitas vezes estabelecem uma nova identidade com base na imagem que lhes é mais compensadora, seja ela focada no trabalho ou na família.

“Como as imagens ideais são frequentemente baseadas em suposições sobre os papéis apropriados para homens e mulheres, esse processo pode ser auto afirmativo para pais que trabalham”, diz Laura. “Para lidar com as outras impressões, eles começam a se identificar nos papéis tradicionais de gênero”.

A melhor maneira de empresas e gestores ajudarem seus funcionários no gerenciamento de conflitos que envolvam suas vidas profissionais e familiares é fornecer políticas favoráveis à família e modelos de papéis positivos, segundo Laura.

Ela incentiva os pais que trabalham a assumirem uma autoimagem “positiva e autêntica”, o que significa que eles devem enfatizar suas partes positivas tanto no âmbito profissional quanto no familiar, de uma forma em que mostrem aos outros que ambas áreas de suas vidas são importantes e podem ser integradas.

A pesquisa na íntegra, “Quando as expectativas se tornam realidade: gestão da imagem da família no trabalho e a adaptação da identidade”, escrita por ela em conjunto com Jamie Ladge, da Escola de Negócios D’Amore-McKim da Universidade Northeastern, foi publicada no jornal “Academy of Management Review”.

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