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Educação para os filhos

Crianças se beneficiam de ter uma mãe que trabalha

Este texto é uma tradução realizada pela Equipe TalkB4 do texto Kids Benefit From Having a Working Mom, publicado na Harvard Bussiness School. 

 

Aqui estão algumas notícias animadoras para as mães trabalhadoras  que estão preocupadas com o futuro de seus filhos.

As mulheres cujas mães trabalharam para fora são mais propensas a terem empregos, são mais propensas a terem responsabilidade de supervisão nesses empregos e ganham salários mais altos do que as mulheres cujas mães ficaram em casa em tempo integral, segundo um novo estudo. Homens criados por mães que trabalham são mais propensos a contribuir para as tarefas domésticas e passam mais tempo cuidando dos membros da família.

“HÁ POUCAS COISAS QUE TÊM UM EFEITO TÃO CLARO NA DESIGUALDADE DE GÊNERO COMO… SER CRIADO POR UMA MÃE TRABALHADORA”

 

As descobertas são resolutas e verdadeiras em 24 países.

“Há pouquíssimas coisas, até onde sabemos, que têm um efeito tão claro sobre a desigualdade de gênero como ter sido criado por uma mãe que trabalha”, diz Kathleen L. McGinn, professora Cahners-Rabb de Administração de Empresas da Harvard Business School, que conduziu o estudo junto com Mayra Ruiz Castro, uma pesquisadora da HBS, e Elizabeth Long Lingo, uma profissional estabelecida no Mt.  Holyoke College.

A pesquisa anterior de McGinn, com Katherine Milkman, da Wharton Business School, descobriu que as advogadas do sexo feminino têm maior probabilidade de subir na hierarquia de uma empresa (e tem menor propensão a sair) quando têm mulheres na firma como mentoras e como inspiração de carreira. McGinn, Castro e Lingo se perguntaram como referências de papéis de gênero não-tradicionais em casa influenciavam na desigualdade de gênero – tanto em termos de oportunidades profissionais quanto de responsabilidades domésticas.

 

“O vínculo entre a casa e o local de trabalho está se tornando cada vez mais visível, à medida que famílias em que ambos os progenitores recebem um salário se tornam mais comuns”, diz McGinn. “Nós tendemos a falar mais sobre a desigualdade de gênero no local de trabalho, enquanto pouco falamos da desigualdade dentro de casa.”


Nos países desenvolvidos, as mulheres empregadas vindas de famílias em que ambos os pais são assalariados relatam que gastam uma média de 17,7 horas por semana cuidando de membros da família, enquanto homens empregados relatam que dedicam cerca de 9 horas semanais, de acordo com os pesquisadores. Ao mesmo tempo, as mulheres relatam gastar uma média de 17,8 horas por semana em tarefas domésticas, enquanto os homens relatam gastar uma média de 8,8 horas.


O efeito global das mães que trabalham


Para avaliar o efeito global do ingresso das mães no mercado de trabalho, as pesquisadoras analisaram dados do International Social Survey Program, um consórcio global de organizações que conduzem pesquisas em ciências sociais, e estudaram as respostas de 2002 e 2012 de uma pesquisa chamada “Família e Mudanças nos Papéis de Gênero”. Eles complementaram esses dados com dados sobre oportunidades de emprego e desigualdade de gênero nos países estudados.

A pesquisa muitas páginas de perguntas relacionadas a atitudes de gênero, vida doméstica e carreira. As pesquisadoras estavam interessadas ​​principalmente na resposta a uma pergunta-chave: sua mãe já trabalhou por salário, depois de você ter nascido e antes dos 14 anos?

“Não nos importou se ela trabalhou por alguns meses em um ano, ou se trabalhou 60 horas por semana durante toda a sua infância”, diz McGinn. “Não estávamos interessados ​​em saber se sua mãe era uma profissional intensa, mas sim se você tinha uma referência dentro de casa que mostrasse a você que as mulheres trabalham tanto dentro quanto fora de casa. Queríamos ver como isso funcionava.”

 

A equipe de pesquisa teve como objetivo descobrir se o crescimento com uma mãe que trabalha influenciou em diversos fatores, incluindo emprego, responsabilidade de supervisão, ganhos, alocação de trabalho doméstico e cuidados para os membros da família.

Os entrevistados da pesquisa incluíram 13.326 mulheres e 18.152 homens de 24 nações desenvolvidas. Os pesquisadores basearam suas análises nas respostas coletadas das pesquisas de 2002 e 2012. Eles categorizaram os países por suas atitudes em relação à igualdade de gênero, tanto em casa como no trabalho.

“Igualitários liberalizantes” foram aqueles países onde as atitudes dos respondentes em relação ao gênero já eram igualitárias em 2002 e se tornaram ainda mais na década seguinte (Dinamarca, Finlândia, Noruega, Suécia, França, Alemanha e Eslovênia). “Estagnados Moderados” foram os países que eram ligeiramente igualitários em 2002 e permaneceram estagnados na década seguinte (Israel, Estados Unidos, Grã-Bretanha, Espanha, Austrália, República Tcheca, Polônia, Eslováquia, Suíça, Áustria, Japão e Taiwan). “Conservadores Estagnados” começaram com atitudes conservadoras em relação aos papéis de gênero em 2002 e permaneceram assim (Chile, Letônia, México, Filipinas e Rússia).

Os homens tendem a relatar atitudes de gênero mais conservadoras do que as mulheres – com exceção do México, onde as mulheres eram mais conservadoras que os homens, diz McGinn.

Os pesquisadores analisaram fatores como: idade; estado civil; religião; anos de educação; habitação urbana versus rural; participação média da Força de Trabalho Feminina no país de origem do respondente durante os anos em que o entrevistado tinha entre 0 e 14 anos de idade; Índice de Liberdade Econômica no país de origem do respondente durante o ano da pesquisa; Índice de Desigualdade de Gênero no país de origem do respondente; e Produto Interno Bruto no país de origem do respondente. Tirando essas coisas, eles se concentraram nos efeitos de ser criado por uma mãe que trabalha fora de casa. “Os efeitos diretos são significativos em toda a linha”, diz McGinn.

Os dados mostraram que os homens tinham a mesma probabilidade de manter cargos de supervisão, quer as mães tivessem ou não trabalhado fora de casa. Já as mulheres criadas por mães que trabalham foram mais propensas a supervisionar outras pessoas no trabalho.

 

Efeitos no Salário


Os dados também mostraram que ser criado por uma mãe que trabalha não teve nenhum efeito aparente nos salários relativos dos homens. Já as mulheres criadas por mães que trabalham tinham rendimentos mais elevados do que as mulheres cujas mães permaneciam em casa a tempo inteiro. A única exceção a regra foram as mulheres cujas atitudes  em relação à igualdade de gênero eram conservadoras. ” O único fator que reduz o efeito de efeito de ter uma mãe que trabalha é o valor do salário”, diz McGinn. “Para todos os demais, ter uma referência não tradicional em casa tem um efeito direto sobre os resultados, independentemente de atitudes.”

Quanto aos homens cujas mães trabalhavam fora de casa, eles eram mais propensos a contribuir para as tarefas domésticas e passavam mais tempo cuidando dos membros da família. “Crescendo, o que estava sendo modelado para os filhos foi a ideia de que você compartilha o trabalho em casa”, diz McGinn.

As mulheres passam aproximadamente a mesma quantidade de tempo trabalhando e cuidando dos membros da família, independentemente de suas mães trabalharem fora de casa ou não. No entanto, “quando segmentamos apenas para pessoas que têm filhos em casa, descobrimos que as mulheres criadas por uma mãe que trabalha realmente passam mais tempo com os filhos”, diz McGinn, acrescentando que isso inclui mulheres que cresceram e que se tornaram mães que trabalham também.

“Os pais se sentem muito culpados por ambos mãe e pai trabalharem fora de casa”, diz McGinn. “Mas o que essa pesquisa nos diz é que você não só está ajudando sua família economicamente – e ajudando-se profissionalmente e emocionalmente se tiver um emprego que adora – mas também está ajudando seus filhos. Então eu acho que mães e pais, ao trabalhar dentro e fora de casa, dão aos seus filhos um sinal de que as contribuições em casa e no trabalho são igualmente valiosas, tanto para homens quanto para mulheres. Em suma, é bom para seus filhos ”.

Imagem: iStockPhoto

 

 

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