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Educação

Diversidade e inclusão social nas escolas: como vieses inconscientes interferem nas relações

By: Débora Goldzveig

A educação brasileira ainda possui um longo caminho a percorrer quando se trata de diversidade e inclusão social nas escolas. Por isso, temos que estudar as raízes do problema para saber lidar com ele e oferecer soluções eficientes. Neste sentido, temos que prestar atenção em um assunto importante: os vieses inconscientes. Entenda como eles são construídos e como a desigualdade social no Brasil exerce um papel preponderante.

A desigualdade social é fonte das mais diversas mazelas que assolam o Brasil. Questões relativas a gênero, raça, religião e economia, por exemplo, acabam por determinar quem são os grupos que têm os seus direitos respeitados. De acordo com um relatório elaborado pela ONG Oxfam e divulgado em uma reportagem do G1, o número de pobres cresceu 11% em 2017. A pesquisa destaca ainda que pela primeira vez, em 23 anos, a renda média das mulheres caiu em relação aos homens. Com isso, o Brasil alcançou o 9º lugar no ranking mundial de desigualdade de renda.

Como este é um processo histórico, ele deixa marcas em nossa sociedade. São estabelecidas ideias de perfeição estética e culturais. Assim, se dá a construção social de vieses inconscientes que moldam comportamentos.

Chamamos de vieses inconscientes determinados tipos de barreiras invisíveis que impactam diretamente em nossos comportamentos e decisões do cotidiano. Eles são formados por aspectos diversos como educação, família, cultura, religião e as experiências vivenciadas pelo indivíduo. Estes aspectos, por sua vez, são responsáveis por definir as nossas concepções de mundo e determinar o modo como agimos.

Muitas ações permeadas por preconceitos se encontram tão internalizadas que nem o próprio indivíduo percebe. Por esta razão, entender a construção social dos vieses inconscientes é fundamental para evitar comportamentos caracterizados por atitudes de exclusão.

Como percebemos, há uma ligação direta entre a construção dos vieses inconscientes e a redução da desigualdade social no Brasil. E esta difícil tarefa requer o atendimento de demandas e a garantia de direitos para crianças e adolescentes, jovens, idosos, pessoas com deficiência, mulheres, pessoas pretas e pardas, e povos indígenas. Estes grupos, por suas particularidades, também figuram como público-alvo na Agenda 2030.

 

Equidade é fundamental para promover diversidade e inclusão social no ambiente escolar

A educação é uma ferramenta essencial para mudar este cenário. E para que ela consiga efetivar o seu propósito de transformação, a educação deve ser baseada no princípio da equidade. Todo o ser humano tem o direito de ser tratado como igual. Mas isto não significa a oferta de um atendimento padrão para todos, e sim que cada um seja tratado tendo em vista o respeito às suas particularidades. Duas questões fundamentais neste campo são: inclusão social e diversidade.

De acordo com dados do Censo Escolar publicados em matéria do jornal O Globo deste ano, a inclusão social de alunos com deficiência aumentou no sistema de ensino. Entretanto, as escolas não possuem a estrutura adequada para recebê-los. O índice de inclusão social de pessoas com deficiência em classes regulares passou de 85,5% em 2013 para 90,9% em 2017. Mas a maior parte destes alunos não têm acesso a um atendimento educacional especializado, somente 40,1%.

Há uma enorme necessidade de várias adaptações para que o ambiente escolar seja mais inclusivo:

⮚  Físicas: a estrutura das escolas deve possuir uma arquitetura que privilegie a acessibilidade;

⮚  Comunicacional/Atitudinal: a escola deve ser um ambiente aconchegante que transmita confiança para os alunos, seja na forma da fala, como no sistema de comunicação do ambiente que deve estar acessível (braile e libras). Eles precisam ficar a vontade para expor suas dúvidas e problemas, de forma que o profissional oferecerá suporte técnico-pedagógico para prover um espaço de confiança e favorável  ao aprendizado;

⮚  Tecnológicas: a utilização de legendas automáticas (closecaption), audiodescrição e de textos alternativos para descrever as imagens são formas em que a tecnologia cria pontes transversais de acesso a qualquer pessoa. Uma ferramenta que além de acessar os vieses inconscientes, permite reconstruir memórias através de mensagens que façam sentido para o usuário.  o contato com a tecnologia é essencial, pois ela permeia a vida de toda a sociedade atualmente.

O estímulo à diversidade também deve ser uma premissa de uma educação plural. Pois, uma sociedade mais colaborativa e produtiva respeita as singularidades dos seus indivíduos. Uma pesquisa realizada pela consultoria McKinsey and Co. constatou que as empresas que apostam em diversidade de gêneros têm probabilidade 21% maior de apresentar crescimento acima da média do mercado. Em caso de variedade étnica e cultural, o índice é ainda mais impressionante: 33%.

Vamos começar a construir uma educação mais inclusiva e plural? O diálogo é o primeiro passo e os especialistas da TalkB4 podem ajudar a sua instituição nesta tarefa! Fazemos palestras e rodas de conversa sobre diversos temas importantes que permeiam o cotidiano dos educadores. Entre em contato conosco!

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