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Educando sobre o sexo: a partir de onde você se posiciona?

Gosto de iniciar meus textos com uma provocação no sentido positivo e popular. Sinto-me muito à vontade para lançar mão de letras de músicas, acreditando que assim sendo, quando da leitura, nos remetemos imediatamente a algum lugar interno onde “ancoramos” momentos de nossas vidas por meio das referidas canções…

Pois bem, o trecho musical convidado para esse texto é: “Sexo é uma selva de epiléticos… Sexo vem dos outros, e vai embora… ” (Amor E Sexo – Rita Lee).

Segundo o Dicionário Online de Português o termo epilético sugere: pessoa que sofre de epilepsia, da afecção (qualquer alteração patológica do corpo) que se manifesta por crises de lapsos de memória ou de consciência, acompanhadas por convulsões que aparecem em intervalos não regulares de tempo.

Você vem se educando sobre o sexo?

Faço-me curiosa: se você já parou para pensar (ou, se preferir, sentir) sobre como você é sexualmente. Você vem se educando sobre o sexo? Até onde você se posiciona?

Assim como sugere a canção, você se percebe um epilético ao fazer sexo? Ou seja, alguém que pratica o sexo com lapsos de memória ou de consciência. Sentindo que seja algo que ‘vem do outro e vai embora’ tão logo a explosão orgástica aconteça?

Essa introdução é necessária para podermos falar de impulsos primitivos e instintivos e, evidenciar o desejo sexual como um deles em nós; SERES HUMANOS.

Sexualidade dos filhos ou crianças do seu convívio

Caminhando por esse labirinto de impulsos instintivos, convido-os a refletir: como você lida com a sexualidade de filhos ou crianças do seu convívio a partir do que você conhece sobre a sua própria sexualidade?

Compartilho aqui uma experiência como profissional de psicologia. Certa vez fui procurada com urgência por uma mãe em momento de muita aflição sobre a demanda de não saber o que fazer com sua filha de 5 anos que se ‘masturbava’ com muita frequência, na presença de quem quer que estivesse em sua sala de estar e, a qualquer momento do dia.

Após acolher tamanha aflição da mãe convidei-a a orbitar sobre o termo ‘masturbação’ como uma expressão do mundo adulto, praticamente nula no universo da criança. Nessa órbita consideramos que no universo da criança, o ato de tocar os genitais seria tão somente uma forma de explorar sensações tendo o próprio corpo como objeto da exploração e, dentro de um contexto que pudemos chamar de “Expedição Conhecendo meu corpo por meio de minhas próprias mãos”, e, sendo isso fruto de uma curiosidade saudável e fundamental para a maturidade sexual daquela criança.

Pois bem, uma vez esclarecida sobre a utilização da nomenclatura e o possível aumento no sofrimento pelo peso que ela denotava, perguntei àquela mãe como ela sentia a própria sexualidade e, para a minha pergunta, obtive a seguinte resposta: “Não vim aqui para falar da minha sexualidade, mas sim para falar do que está acontecendo com a minha filha.” A partir daquela resposta, pude compreender onde habitava um sofrimento maior do que a questão ‘masturbatória’ apresentada: a própria fisicalidade daquele ser e a ausência do contato com sua natureza instintiva (aqui arrisco afirmar que não são poucas as vezes que isso se passa).

Sexo cercado por tabu

Cammile Paglia em seu livro Personas Sexuais cita que o sexo sempre foi cercado por tabu, independente de cultura e, considera o conceito de que o sexo é daimônico, explicando o termo como vindo do grego daimon, que significa um espírito de divindade apenas inferior à dos deuses do Olimpo, não sendo maus, ou melhor, eram ao mesmo tempo bons e maus (bilateralidade), como a própria natureza, na qual viviam e, que dogmas religiosos transformaram esse daimônico em demoníaco (unilateralidade).

Imaginar que a sexualidade infantil se assemelha à do adulto, atribuindo à exploração dos genitais uma carga erótica inexistente, recheada de tabus e julgamentos, é considerar demoníaco o valor daimônico da situação e, acabar reprimindo uma rica experiência, baseada num modelo pessoal em que prevalece culpa desnecessária para ambas as partes (adultos e crianças).

Convido-os a sair da unilateralidade (demoníaco – mau) sobre o tema sexo, retornando à bilateralidade (daimônico – nem bom nem mau), dando-se a chance de sair do sexo epiléptico com seus lapsos de memória ou de consciência e acreditando somente vir do outro, para posicionar-se positivo e consciente, afinal se é a consciência que diferencia o ser humano do ser animal, nosso desafio é tornar-se ser evoluído em seu instinto mais primitivo.

#boracontribuir

Imagem: VisualHunt

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