Blog

Educação Educação para os filhos

Eletrônicos na primeira infância: como eles influenciam as crianças?

O clima que cuidamos do bebê nos primeiros três anos de vida, produz no seu corpo sensações físicas. Essas, serão então incorporadas no emocional e no psicológico dessa criança. Dessa forma, dependendo do clima que os cuidadores lidam com as tarefas do bebê – podendo ser um clima amoroso e atenção plena ou de rejeição, ansiedade ou indiferença – ocorrerá um registro no psiquismo desta criança correspondente ao estímulo do ambiente.

Como ocorre esse processo de construção emocional?

Nos primeiros três anos de vida, a criança está na fase de programação cerebral. Nela,  a criança será capaz de SENTIR, PERCEBER E PENSAR, por toda a vida, de acordo com as experiências vividas nesse período inicial.

Para facilitar este entendimento sobre a constituição do psiquismo, imaginem o cérebro como um computador. Nos primeiros três anos, esse computador está sendo programado. A partir dos três anos, o banco de dados será oferecido a este maravilhoso aparelho psíquico da criança ao longo de sua vida.  Mas, caso não tenha sido programado adequadamente com a presença humana durante esses três anos iniciais, mesmo que a criança receba o mais moderno “banco de dados” posteriormente, esse “banco de dados moderno” fará pouca diferença de fato. ( cito Prof. Vitor Dias, médico psiquiatra, que desenvolveu a Teoria da Programação Cenestésica e Análise Psicodramática [1] )

Os estudiosos da infância e cérebro humano são enfáticos em dizer da importância das inter-relações humanas. Essas, são essenciais para o desenvolvimento da rede de neurônios cerebrais e para a apropriação da capacidade de lidar com outras pessoas, de forma amorosa e empática.

O melhor aprendizado ocorre quando há emoção no ambiente.

Assim, é no brincar, no contexto familiar, que a criança menor de três anos desenvolve a criatividade e afetividade.  Nesses momentos, há a possibilidade de lidar com a frustração em doses pequenas e gradativas, na medida que percebe que nem sempre o outro está lá só para atender seus desejos.

Este movimento de permitir que a criança dê conta sozinha de lidar com seu pequeno desamparo é que desenvolve sua autonomia. Lembrando que é importante que esse processo se dê de forma lenta e progressiva. Isto também permite que a criança não se transforme num adulto narcísico, e que perceba que ela não está no mundo só para ser servida (cito Donald Winnicott, pediatra e psicanalista inglês, que frisava a importância da mãe suficientemente boa e do ambiente cultural –  Da pediatria à psicanálise. [2])

E a exposição aos eletrônicos?

Dito isto, preocupa-me muito a extrapolação do uso de eletrônicos por crianças na primeira infância, sem supervisão de um adulto. Sendo esses aparelhos celulares, tablets, jogos eletrônicos e televisão.

O isolamento da criança propicia um ambiente inibidor para seu desenvolvimento emocional,  pois a coloca numa posição aonde o outro não está presente. Sem a interação necessária com o outro, o responsável ou o cuidador, não há estrutura para a constituição de todos os processos descritos acima.

O desenvolvimento de conceitos morais, de valores culturais e hábitos são passados pela família. Entretanto,  pressupõe-se que haja uma convivência entre pais e filhos para tal aprendizado.

Entendo o quanto a vida corrida dos tempos atuais dificulta a criação de um ambiente saudável para os filhos crescerem. Entendo também o quanto os eletrônicos distraem as crianças. Isso possibilita que executemos tais tarefas do cotidiano ou até relaxemos após um dia longo de afazeres.

É por este motivo que a conscientização do conteúdo exposto é tão necessária. Nós pais devemos refletir sobre o nosso papel como educadores e responsáveis pela construção emocional de nossos filhos.

Estejamos ao lado de nossas crianças. Brinquemos muito com elas, para mais tarde, darmos a elas a capacidade de serem adultos mais completos e maduros emocionalmente.

#talkB4 #melhorvoceantes

Referências:

[1] Analise Psicodramatica – teoria da programação cenestesica – Victor RCS Dias – São Paulo: Ágora, 1994

[2] Da pediatria à psicanálise. Trad. de Jane Russo. Rio de Janeiro. Francisco Alves, 1978. Da pediatria à psicanálise. Trad. de Davy Litman Bogomoletz. Rio de Janeiro, Imago, 2000. W6 – Collected Papers: Through Paediatrics to Psycho-Analysis. London, Tavistock ,1958.).

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *