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Homens e Sensibilidade

Seja homem, aja como homem

Desde muito pequenos os homens são submetidos a um padrão de conduta que define  o que é ser homem. Este padrão diz que os homens precisam ser fortes, decididos, durões, ativos e ter tudo sobre controle. Os meninos que agem fora deste padrão e expressam sentimentos como medo, insegurança, ansiedade e tristeza, são normalmente vistos como feminilizados e são excluídos e humilhados pelas outras crianças e  adultos. Até pelos próprios pais.

Desta forma, os meninos, principalmente os mais sensíveis,  são ensinados desde cedo a reprimir suas emoções para evitar serem hostilizados. Para serem aceitos e aprovados pela sociedade, aprendem a negar sua própria natureza.

Os meninos tem as mesmas necessidades humanas que as meninas. Alguns estudos mostram que os bebês meninos são emocionalmente até mais reativos e choram mais do que as meninas quando frustrados . Porém, diferente das meninas, eles são forçados a engolir seu choro e aprendem a suprimir todas as suas emoções. Exceto a raiva, que é uma forma de expressão aceita e até incentivada.

Quando os meninos agem de forma agressiva e se calam sobre seus sentimentos, isto é aceito como normal.  Afinal, estão simplesmente sendo homens. Assim, os meninos vão se adaptando a este padrão.

Forçar-se a ser algo que não é causa enorme sofrimento e é devastador para os homens sensíveis que tem que se esforçar mais do que os homens comuns para reprimir suas emoções.

Sensibilidade e Masculinidade

Na dualidade de extremos  da nossa cultura, entre o que é ser masculino e o que é ser feminino, a sensibilidade ficou definida como um traço feminino.

Os homens têm dificuldade em aceitar a sensibilidade em outros homens e em si mesmos pois isto os tornaria  feminilizados.

A negação da sensibilidade tem um efeito devastador nos relacionamentos afetivos e principalmente nas relações entre pais e filhos. É muito comum relatos de homens que nunca receberam carinho do pai e que nunca viram seu pai expressar sentimentos.

Um dos aspectos mais angustiantes deste rígido padrão de conduta é a ideia que os homens nunca devem chorar ou expressar medo. O efeito devastador dessa repressão emocional se apresenta na necessidade de entorpecimento, com álcool e drogas resultando em depressão e nas taxas de suicídio. No Brasil o número de homens que se suicidam anualmente chega a ser 4 vezes superior ao número de mulheres.

Os machos são ensinados que é um sinal de fraqueza pedir ajuda. Se o homem deve ser durão, suportar tudo e não ter emoções que o afligem, não há porque pedir ajuda.

Dessa forma, os homens têm sofrido em silêncio.  Escondendo no fundo de seu coração toda a violência e abusos, sem que falem sobre isso e peçam ajuda. Os homens não aprendem a fazer isso.

Este endurecimento e silêncio faz com que se  perpetue este rastro de agressividade que contida vai encontrar uma forma violenta para se expressar.  Por trás de todo agressor/abusador, existe um menino que foi abusado/ agredido e que não pode chorar.

Um homem precisa ter muita força para pedir ajuda. Assim, é preciso muita coragem e força interior para vencer esta programação e conseguir mostrar suas emoções e ser vulnerável.

Nossos filhos são nossos espelhos, aprendem pela observação e seguindo nossos exemplos. Assim, o passo mais importante que podemos dar como pais na criação dos nossos filhos é nos tornarmos vulneráveis.  Nos permitindo ter e expressar emoções, abraçando toda a diversidade e a beleza dos sentimentos que nossos meninos trazem.

 

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