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Liberdade e Felicidade – O Futuro da Educação Parte I – Amorim Lima

Gostaria de compartilhar com você a minha jornada através da educação e propor algumas reflexões sobre o modelo de educação atual e como ele poderia ser reinventado.

Temos visto aumento de suicídio de jovens, o problema do bullying e depressão dos jovens com a pressão do vestibular.

Antes de prosseguir, proponho fazer uma reflexão.

Imagine que você é um extraterrestre e chegou na Terra. Você foi visitar duas escolas e encontrou situações distintas. Na primeira, era uma escola com as carteiras enfileiradas e os alunos ouviam a professora durante mais de 1h. Já na segunda escola, você encontra grupos de alunos em rodas de conversa no final do período.

 

Qual você acharia melhor?

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O Amorim Lima é uma escola municipal localizada no bairro do Butantã em São Paulo que tem um modelo inspirado na Escola da Ponte de Portugal. Lá, não existem provas e os alunos seguem um roteiro de estudo de modo que cada criança segue o seu ritmo.

Ao invés de salas divididas por idades, o Amorim Lima tem 2 grandes salões nos quais alunos de diferentes anos são organizados em grupos. Neles, alunos de idades diferentes se apoiam nas pesquisas do roteiro.

Conheci o Amorim Lima no documentário sobre educação inovadora “Quando sinto que já sei” e achei incrível, mas não imaginei que um dia meu filho seria um aluno lá. Não foi um caminho fácil, pois tivemos que mudar de bairro. Porém, um dos maiores desafios foi superar o preconceito que a sociedade tem com escolas públicas. É lógico que a maioria das escolas públicas necessitam melhorar, porém muitas escolas tem boa qualidade e estão superando desafios mesmo sem incentivo.

O Amorim Lima não é diferente, tem vários problemas a serem superados. O encanto do Amorim Lima é a intensa participação dos pais/mães e da comunidade na escola. A festa junina é o evento mais importante e todas a prendas são 100% confeccionadas pelos pais e comunidade. Em vários anos com filhos em escolas particulares, eu frequentava as  festas juninas por algumas horas para “cumprir tabela”. Até então, eu nunca havia ficado tão feliz e emocionado em fazer parte de uma festa tão linda.

 

E qual o motivo de outras escolas não seguirem o mesmo modelo do Amorim Lima?

O ser humano tem uma grande dificuldade para MUDAR. Fazer algo diferente da “maioria” exige CORAGEM e FÉ para seguir sua intuição.

José Pacheco – idealizador da Escola da Ponte em Portugal – e que mora no Brasil há muitos anos participando de centenas de projetos de educação, afirma:

“Aula não ensina e prova não avalia”, José Pacheco

Tive o prazer de organizar alguns encontros de educação com o José Pacheco. Lembro de uma história que ele conta sobre  7 jovens problemáticos que recebeu da Fundação Casa.  Conversando com um dos jovens, descobriu que esse adorava pássaros e gostaria de trazê-los para escola. Então, Pacheco pergunta: “E onde vai colocá-los?”. Na sequência, eles respondem que precisariam fazer um viveiro.

Resumindo uma longa história, a partir do interesse dos jovens foi criado um projeto de um viveiro. Para realiza-lo, os jovens tiveram que aprender mais de 70 conteúdos que não conseguiam aprender em outras escolas.

A base desta história é a Pedagogia por Projetos Significativos que é engajar as crianças/jovens a partir de seus interesses. E a história não termina aí.  Depois disso, os 7 jovens “delinquentes” facilitaram rodas de conversa.  Essas tinham o intuito de explicar para outros alunos da escola o processo de construção do viveiro.

Uma das pessoas que mais admiro na educação é o Tião Rocha que é um dos maiores educadores do Brasil.  Ele é o criador do CPCD (Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento) e também da pedagogia da Educação Debaixo do Pé de Manga.

 

O Tião Rocha faz um questionamento para provocar o modelo escolar atual em um trecho do “Quando sinto que já sei”:

“Será que um dia teremos uma escola tão boa que os alunos e pais irão querer vir no final de semana?”

Eu faço uma provocação para pais, mães e responsáveis… Será que um dia iremos parar de cobrar as crianças e jovens para atender nossas expectativas e vamos deixá-las livres para descobrirem seus talentos?

Até dezembro/2013, eu era um pai como a maioria. Acreditava que uma boa escola seria a solução para o futuro dos meus filhos. Até que li esta frase no site da Escola com Asas e que me colocou na trilha da educação livre:

“Qual é o talento que você pode oferecer para o mundo?”, Sabrina de Campos

Na parte 2 deste tema, vamos descobrir a trilha do meu filho mais velho que está se descobrindo no homeschooling. Aguarde em meu próximo texto! 

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