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Mudanças na política educacional são fundamentais para inclusão de jovens mães

Sistema educacional deve privilegiar ações de acolhimento e programas que foquem em jovens grávidas para conter evasão escolar destas adolescentes

A gravidez precoce é uma das principais causas da evasão escolar no Brasil. Os números mostram que é necessária uma mudança em nossa política educacional para incluir estas jovens mães. Mas como modificar este cenário? Qual é o papel dos educadores nesta missão? A TalkB4 discute estas questões neste artigo! Conheça também exemplos de algumas iniciativas que já estão em andamento no país e no exterior para solucionar este problema.

No último dia 22 de abril, o Jornal Nacional veiculou uma reportagem que abordou este assunto. Segundo um estudo da Fundação Abrinq, quase 30% das mães adolescentes, com até 19 anos, não concluíram o ensino fundamental. Isto significa que elas estudaram menos de sete anos. A matéria ainda destaca que temos uma menina de 10 a 14 anos que se torna mãe a cada 21 minutos. Atualmente, a primeira relação sexual ocorre, na média, entre 14 e 15 anos.

A pesquisa da Fundação Abrinq ainda ressalta que a situação nas regiões Norte e Nordeste é ainda mais preocupante. O índice de mães adolescentes que não concluíram o Ensino Fundamental nestas áreas ultrapassa os 35%.

A gravidez na adolescência pode acarretar uma série de problemas psicossociais. Discriminação social, empregos mal remunerados, constrangimentos na escola, abandono do pai da criança e repressão familiar são alguns exemplos. Por isso, muitas acabam por desistir dos estudos.

Embora a gravidez precoce seja mais recorrente entre adolescentes das classes mais populares, ela também afeta jovens das classes média e alta. No entanto, os números relativos a este estrato mais rico da população é mais difícil de ser obtido. Entrevistada pelo médico Drauzio Varella, a pesquisadora Adriana Lippi Waissman discorre sobre o motivo desta dificuldade. Segundo ela, estas jovens mais abastadas frequentam consultórios particulares e têm a possibilidade de interromper a gravidez se desejarem.

Mas como transformar a nossa política educacional?

A mudança deste triste panorama demanda a realização de profundas modificações na política educacional brasileira. Mas para que elas se concretizem é preciso conhecer a realidade do país como um todo. E é neste sentido que atua a GESTA (Galeria de Estudos e Avaliação de Iniciativas Públicas). Esta organização faz a gestão de uma plataforma que reúne estudos temáticos sobre diversos assuntos e que reflete sobre formas inovadoras de remodelar nossas políticas públicas. A educação é um destes grandes temas pensados por pesquisadores, membros da sociedade civil e governos.

Para conter a evasão escolar de mães adolescentes, a GESTA elaborou um material sobre este assunto. De acordo com a organização, uma política educacional que inclua as mães adolescentes requer: ações de acolhimento das grávidas, prevenção e uma atenção especial para elas.

Vale ressaltar ainda que a participação dos educadores neste processo é fundamental. São os educadores que lidam diretamente com estas jovens mães que vivem um momento delicado em  suas vidas. Os educadores são uma figura importante no período escolar dos alunos. Muitos estudantes os enxergam como exemplos a serem seguidos.

Integrante do time de especialistas da TalkB4, Pollyana Rodrigues, reafirma a importância dos educadores e aponta a promoção de uma educação sexual de qualidade como parte da solução para este problema.

“Não resta dúvidas que o melhor caminho a ser seguido é a educação sexual. Com os jovens é preciso estudar sua linguagem, as gírias, sua cultura e hábitos, afinal, são eles os protagonistas do diálogo que irão traçar. A partir desse relacionamento, pensar em dinâmicas atrativas que os deixem interessados em compreender melhor as formas contraceptivas, as consequências de uma gravidez precoce, etc. Por outro lado, acontecendo a gravidez precoce, é dever do educador e da coordenação acolher essa jovem. Medidas como mudança de datas de provas, algumas atividades serem realizadas em casa, acompanhamento por algum profissional especialista como um psicólogo, por exemplo,  e sensibilização da turma são algumas ideias para mantermos essa jovem estudando.”

Nova política educacional: projetos brasileiros e estrangeiros têm uma atuação voltada para jovens mães

A GESTA ainda cita alguns projetos existentes no Brasil e no exterior para combater a evasão escolar de mães adolescentes. Conheça três deles:

  • Nurse-Family Partnership (EUA): oferece às mães de qualquer idade de primeira viagem e baixa renda serviços abrangentes de visitação domiciliar de uma equipe de enfermagem, durante a gravidez e nos dois primeiros anos após o nascimento da criança;
  • Vale Sonhar (Brasil): tem como meta desenvolver a responsabilidade pessoal dos alunos a partir da percepção do impacto da gravidez no projeto de vida e, dessa forma, reduzir o alto índice de gravidez na adolescência;
  • Projeto Saúde e Prevenção das Escolas do Programa Saúde nas Escolas (Brasil): o objetivo é contribuir para a formação integral dos estudantes da rede pública de educação básica por meio de ações de prevenção, promoção e atenção à saúde. Com isso, espera-se auxiliar na redução da infecção pelo HIV/DST e dos índices de evasão escolar causada pela gravidez na adolescência (ou juvenil), na população de 10 a 24 anos;
  • Entre outros.

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