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Pai ausente: como a ausência do pai afeta a vida do meu filho?

[Artigo de leitura pesada].

Eu conheci o meu pai quando tinha 10 anos, me lembro desse dia muito claramente. Lembro a primeira imagem dele de pé na porta da casa, ele estava vestido de branco e estava sorrindo. Desde o primeiro momento senti-me muito acolhida. Ele fez o seu melhor nos dias que compartilhamos juntos. Depois, me convidou para passar o verão com ele – ele morava em outro país – e em seguida mantivemos algum contato quinzenal via telefone. Ele nunca deu o seu telefone para mim, sempre eu tinha que aguardar ele estar a vontade para me ligar. Quando tinha 14 anos viajamos juntos à uma cidade turística famosa no meu país. Depois, continuou o nosso contato via telefone onde eu continuava tendo que aguardar a sua ligação. Hoje, estamos a quatro anos sem falar e treze anos sem nos ver.

 

Com isso dito, é com muito carinho que escolhi pesquisar e escrever sobre o tema.

Cada um tem o seu lugar na família, embora não esteja.

 

Quando comecei a perguntar para minha mãe do meu pai eu deveria ter uns 4 ou 7 anos. Ela não tinha contato nenhum com ele e minha família não sabia onde ele estava. Minha mãe sempre deu muito amor para mim e criou uma estrutura na nossa família -ela e eu – com bases bem sólidas. No entanto, como a constelação familiar sistêmica diz “Cada um tem o seu lugar no mundo e na família, e ninguém pode ser substituído. Se isso acontecer cria-se um desequilíbrio energético familiar”. Assim, quero falar um pouco do impacto nos filhos  devido à ausência do pai.

 

Em sua teoria, o Dr Bert Hellinger  afirma que a mãe dá a vida e o pai leva para o mundo. Assim, o impacto direto e biológico que a mãe tem é de ‘dar vida’. Esse conceito se expande para: O que é chamado de vida? A vida oferece experiências, sustento e acolhimento. Dessa forma, o papel da mãe, está relacionado com o impacto nas bases emocionais do filho.

 

Seguindo essa linha, o papel do pai de ‘levar para o mundo’ impacta nas relações interpessoais – especialmente com aquelas do sexo oposto -, sentimento de segurança, proteção e confiança no mundo.

 

Na minha pesquisa, quando li isso confesso que me incomodou, pois acredito que minha mãe (mesmo que solteira) me forneceu esses elementos. No entanto, dentro desse olhar investigativo, tive que admitir que precisei muitos anos de terapia para olhar os homens, os relacionamentos amorosos e o dinheiro de forma próspera, saudável e abundante. Então acredito essa teoria tenha, sim, um sentido palpável.

 

Alguns estudos americanos indicam que um filho que cresce com um pai ausente é:

  • 5 vezes mais propenso a cometer suicídio
  • 32 vezes mais propenso a fugir de casa
  • 20 vezes mais propenso a ter desordens de conduta
  • 14 vezes mais propenso a cometer violência e abusos sexuais
  • 9 vezes mais propenso a abandonar os estudos
  • 10 vezes mais propenso a abusar de substâncias químicas
  • 20 vezes mais propenso a ir na prisão

E, claro, não podemos generalizar, apenas trago as estatísticas reais atuais do nosso presente.

 

A nova estrutura familiar emergente.

 

Com o aumento de 68,97% de divórcios e famílias monoparentais, precisamos olhar a nova estrutura familiar emergente.

Muito se fala que uma família funcional é aquela que é composta por mãe, pai, filhos. No entanto, quem nunca viu -ou faz parte- de uma família que tem, sim, esses elementos e ainda assim é disfuncional?

Hoje em dia a funcionalidade da família vem do prover das necessidades emocionais, físicas e espirituais. Por isso, podemos ficar tranquilos quando o casal escolhe se divorciar mas se compromete a prover esses elementos aos filhos, a sua família pode ser sim funcional. Uhu! Há esperança!

 

Para finalizar, podemos dividir os tipos de pai ausente em duas categorias:

  1. Aquele pai que realmente está ausente da vida do filho. (seja após um divórcio ou demais circunstâncias). Nesse caso as consequências podem ser as mencionadas acima.
  2. Aquele pai que é ausente no dia a dia da casa, pois se divorciou, mas ainda assim faz parte do núcleo e vida familiar do filho. Nesse caso podemos ter a formação de uma família que fornece os elementos de uma família funcional, apesar dos pais estarem separados.

 

Em relação a presença ou ausência, a escolha, meu amigo, é apenas sua; e não adianta botar desculpas. Pessoalmente, como filha de um pai semi-ausente – pois preciso admitir que houve momentos onde ele não foi ausente, e escolho honrar isso – posso lhe garantir que o sentimento de segurança, evolução pessoal, crença de merecimento tanto emocional como econômico, junto com as estatísticas apresentadas aqui, conseguem se desenvolver de forma mais robusta quando você escolhe ficar presente na vida do seu filho. Eu sei que às vezes pode ser difícil mas o seu filho é o seu filho.

Por último, eu sei que você não me conhece, mas se permita acreditar em mim, se dê uma chance  e veja quão lindo o seu relacionamento com seu filho pode ser se você escolhe abrir a sua vulnerabilidade e se dar essa chance <3. Vamos juntos nessa?

 

Gostou? Eu gostaria saber de você. Você também é filho de pai ausente? Também é um pai ausente que está a pensar retomar contato? Sei que é difícil, mas me conte!

 

———

 

Obrigada por ler tudo até aqui.

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