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Sexualidade

Religiosidade: o Cristianismo como compreensão da nossa natureza dual e nossa origem não dual

By: Luciana Fernandes

“E Deus criou o Homem, à sua imagem e semelhança.” Ora, podemos perceber aqui uma possibilidade para desvendarmos o enigma da nossa humanidade. Iniciamos nossa discussão sobre tal enigma neste artigo da TalkB4.

Somos a imagem perfeita de Deus! Mas em que consiste nossa semelhança com Deus?

Se o homem fosse somente “criatura”, apenas um ser criado, mesmo que tão perfeito, não corresponderia ainda assim a imagem de Deus. O homem só mereceria a qualificação de “imagem divina”, se também por seu lado pudesse ser um ente criador, e, portanto mais do que uma simples criatura.

Para sermos verdadeiramente à imagem e semelhança de Deus temos que dar vida ao nosso ser interior criador que age no mundo com liberdade e amor, no sentido do Bem Divino. Isso em muito se relaciona com a força criadora da sexualidade humana.

Em nós vive como semente, a imagem e semelhança de Deus, e cabe a cada indivíduo de forma livre e a partir do seu próprio centro ser criador e não somente criatura. A fim de que essa semente possa desenvolver-se até chegar a ser uma personalidade livre, uma imagem perfeita de Deus, torna-se necessário um longo processo de transformação.

Somente fazendo parte da história, no sofrer e viver de destinos, o homem se tornará aquilo que deverá ser.

Aqui gostaria de concluir que devemos reconhecer que o homem como imagem de Deus ainda não está plenamente realizado, estamos no caminho. Não estamos prontos e este é o nosso diferencial frente às outras criaturas terrenas.

O Ser humano é um ser em construção. As outras criaturas estão prontas, uma planta é uma planta, um animal é um animal. Já o homem como imagem de Deus ainda é algo a ser alcançado na história da nossa humanidade. Precisamos construir um novo olhar, uma nova posição, livre e amorosa em relação à sexualidade humana como força criadora. Isso nos ajudará em nossa realização como Ser Humano, como imagem e semelhança de Deus.

A Sexualidade como um caminho para resolver a nossa natureza dual e o reencontro com a unidade perdida

Uma das forças operantes em nossa natureza é a força da sexualidade e cabe ao Ser humano de forma livre e responsável intervir nessa força de maneira transformadora.

Para aprofundarmos esse entendimento temos que lembrar o significado da palavra sexo: dividir, separar, cortar. Ora, se algo foi dividido, significa que antes era inteiro. Isso nos remete a nossa natureza não dual, onde a corporalidade humana trazia impresso em si os aspectos da alma humana. A alma humana é tanto masculina como feminina.

Houve um momento em nossa história em que vivemos em nossa corporalidade a força masculina que vive na alma, que é uma força que se volta para fora, que toma iniciativa, que transforma e que empreende, e também a força feminina, que é aquela que acolhe, recebe, interioriza e que em sabedoria direciona a força motriz.

Esse tempo nos remete à nossa UNIDADE e nossa verdadeira natureza não dual (imagem e semelhança de Deus).

Mas em algum momento fomos separados. A Bíblia descreve esse acontecimento como sendo o pecado original, representando-o com as imagens da serpente, da árvore e da maçã.

Em nossa biografia humana vemos essa imagem na criança que nos mostra que antes dela mesmo abarcar a realidade sexual, existe a inteireza, nos mostra que antes de algo ser separado, existe algo inteiro. Ela porta em si o todo, a unidade.

Antes da sétima semana de gestação não sabemos o sexo do bebê, pois este ainda não se diferenciou. Ou seja, começamos nossa jornada na terra como um ser primordial masculino e feminino.

Explico isso para lembrar que a criança é como um eco do ser humano no paraíso. Na primeira infância a criança ainda vive uma unidade, mesmo já tendo em sua expressão física a diferenciação sexual adotada por essa individualidade.

Por volta dos nove ou dez anos temos o início de uma diferenciação, quando as células germinativas vão ser alimentadas desde a hipófise e os hormônios que surgem agora na corrente sanguínea vão começar a diferenciar progressivamente o corpo até o amadurecer na puberdade, levando à menina a menarca e o menino, um pouco mais tarde, às poluções. Esse amadurecer dá o sinal de que o aparelho reprodutor está maduro para um ato de procriação. Segundo este artigo publicado pela TalkB4, o despertar da sexualidade durante a infância deve ser esclarecido e não reprimido.

Então em nossa natureza, o lampejo para a sexualidade, o interesse em unir aquilo que foi separado, surge pela primeira vez na infância ou deveria surgir de forma saudável, em torno dos nove ou dez anos. De forma metafórica podemos lembrar do pecado original e da expulsão do paraíso como o despertar para a sexualidade do interesse pelo outro, começa aqui a grande aventura humana e a necessidade de buscar a outra parte que foi separada.

A sexualidade humana é uma das forças mais importantes presentes em nossa natureza, nela vive o resgate da nossa unidade como imagem e semelhança de Deus. E em sua compreensão como força criadora, está a nossa capacidade de decifrar o enigma da humanidade e realizar nossa grande obra, que é o amor.

Hoje a sexualidade irrompe com crueldade em nossa cultura. No passado ela era escondida e hoje ela está aberta. Mas infelizmente de uma maneira brutal e desenfreada.

A sexualidade é diretamente relacionada com a religiosidade. Por esta razão, muitos centros religiosos vêm perdendo frequentadores jovens. A revista Isto É divulgou uma pesquisa sobre o assunto.

Precisamos refletir sobre isso. De que forma nossa cultura trata hoje a sexualidade? Lembrando que estamos falando da força capaz de nos remeter à nossa natureza não dual, livre e amorosa. Deixo isso a cargo de leitor refletir, pois todos sabemos como estamos lidando com esse tema.

Uma pedagogia para a sexualidade precisa existir em nossos tempos, pois o homem precisa aprender os primeiros passos na escola do amor, o amor sexual é o primeiro degrau. Neste video destaco a importância de lidar com a sexualidade dos jovens de forma mais leve. O passo seguinte é o amor no âmbito de uma família.

O terceiro passo significa amar o eu de outra pessoa, reconhecer a outra pessoa como um eu, seja ela homem ou mulher. Ela é um eu.

O último passo nos foi ensinado pelo próprio Cristo e se trata do amor pela humanidade. Amor como força que cocria e que nos possibilita realizar nossa mais elevada tarefa, SER HUMANO, como imagem e semelhança de Deus.

Estamos vivendo a Semana Santa, momento em que o Ser do Cristo, o Ser do Amor e da Liberdade esteve entre nós e sofreu também as dores da separação. Passou pela morte, se entregando livremente para a cura de toda a realidade terrena e encontrou em meio às trevas e à escuridão da Sexta-feira Santa, as forças e o caminho para a vida.

Cristo viveu entre nós como aquele que só amor inspira e a todos nós se deu por inteiro.

Comemoremos!!! Feliz Páscoa a Todos.

Com amor

Luciana Fernandes

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