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Seus filhos verão pornô. Lide com isso.
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Seus filhos verão pornô na internet. Lide com isso.

Esse texto é uma tradução da matéria The Great Tech Panic: The Inevitability of Porn publicado na Wired.

 

OS VISITANTES DO PORNHUB, o maior site pornô da internet, assistiram a 92 bilhões de vídeos sensuais no ano passado. Não que haja algo de errado com isso. Mas eu tenho dois filhos pequenos; eu não quero que eles acabem incapazes de se sentirem excitados por um ser humano em carne e osso, porque o primeiro encontro deles com o sexo foi um clipe de uma MILF sendo agredida. Então, liguei para Peggy Orenstein. A autora de Girls & Sex e Cinderella Ate My Daughter está atualmente trabalhando em um livro sobre meninos, masculinidade, sexo, amor – e sim, pornografia. Como parte de sua pesquisa, ela está entrevistando meninos na faixa etária ‘ensino médio e faculdade’ em todo o país. Eu precisava do conselho dela.

 

WIRED – Todas as crianças estão assistindo pornô?

A primeira coisa que reconheci quando comecei a trabalhar no novo livro foi que a pergunta a ser feita aos meninos não é se eles assistem a pornografia. A questão é, quando foi a primeira vez que eles viram isso? A resposta mais comum é 11 anos, às vezes 13 anos, às vezes mais nova.

 

Como eles se deparam com isso?

Às vezes eles sentiam que precisavam saber sobre o que as pessoas estavam falando, ou um menino mais velho falava: “Ei, olha isso”. Os rapazes me dizem coisas como “Quando eu tinha 11 anos, eu pesquisava ‘peitos grandes’ “. Com apenas alguns cliques, essa pesquisa pode levá-los a imagens ou vídeos que eles não estão preparados para entender ou processar. O que eu sempre digo aos pais é que, se você nunca foi ao Pornhub para ver o que está lá de graça – na página de abertura -, você não tem ideia do que estamos falando.

 

Qual é o efeito sobre esses garotos?

A pesquisa sugere uma correlação positiva entre indivíduos heterossexuais que assistem pornografia regularmente e aqueles que apoiam o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

 

Ótimo!

Ah, mas eles também são menos propensos a apoiar ações afirmativas para as mulheres. E entre os homens jovens, a exposição à pornografia tem sido correlacionada com a visão do sexo como puramente físico, considerando as meninas como brinquedos, e medindo sua masculinidade e sua autoestima pela sua capacidade de pontuar com mulheres gostosas.

E um estudo sugere que as espectadoras mulheres de pornografia são menos propensas do que outras mulheres a intervirem se virem outra mulher sendo ameaçada ou agredida.

Veja, é por isso que quero criar um ecossistema pornográfico que não permita nada além de pornografia positiva e amigável entre pessoas de aparência realista. Nada com cachorros ou máquinas de sexo. Tudo consensual e de preferência parcialmente vestido. E faça com que os telefones e computadores dos meus filhos possam ir lá e não outros sites pornográficos.

Há algo estranho em fazer a curadoria da pornografia dos seus filhos.

 

Justo.

Em vez disso, pense a longo prazo. O que você quer para o seu filho? Que tipo de relacionamento íntimo você quer que seus filhos tenham (ou sejam capazes de ter)? O que ajudará ou prejudicará isso?

Eu poderia apenas mantê-los fora da internet ou instalar aplicativos de controle parental com níveis altíssimos de segurança.

Acabei de receber um texto de uma amiga que disse que seus filhos conseguiram burlar o Moment, um aplicativo que acompanha o quanto você usa seu telefone e quanto tempo você gasta em quais aplicativos. É um jogo contínuo de gato e rato: os sites e as mídias sociais estão tentando fazer com que seu filho continue, e você está tentando fazer com que seu filho fique de fora.

 

Quer dizer … eu só tenho que falar com eles sobre … pornografia?

Sim. É bizarro para mim que, por causa de nossa própria falta de sensibilidade, não podemos nos envolver com nossos filhos. O resultado é que permitimos que eles sejam educados por uma cultura que, na melhor das hipóteses, não tem seu bem-estar como prioridade.

Você sabe, algumas pessoas estão tranquilas com o fato das ideias de suas filhas sobre feminilidade e sobre “ser menina” estarem sendo moldadas pela Disney. Algumas pessoas não estão. Algumas pessoas podem estar tranquilas com a sexualidade de seus filhos sendo moldada ou influenciada por pornografia, fazendo com que a pornografia colonize sua imaginação. E algumas pessoas podem não estar, não porque sejam anti-sexo, mas porque são pró-sexo.

Mas nós silenciamos discussões sobre sexo como se essas não tivessem nada a ver com todo o resto. Você já deveria ter falado com seus filhos sobre relacionamentos e comportamento humano e sexualidade. Então, quando você começa a conversa sobre pornô, você tem uma base. A pornografia não deveria ser por onde você começa.

 

Quando você conversou com adolescentes sobre como eles reagiram à pornografia, o que eles disseram?

Geralmente, no primeiro contato, eles não têm uma excitação; eles se sentem levemente repelidos ou inseguros, ou pensam: “Bem, isso é estranho”. Eles simplesmente não sabem o que fazer com isso quando são pequenos. Mas quando estou conversando com garotos heterossexuais de 16, 17, 18 anos (já conversei com garotos gays também, e essa é uma conversa diferente), ouvi uma série de “Eu reconheço isso como algo separado, fantástico, e distante das minhas interações com parceiras reais” a “Eu comecei a sentir que estava afetando meu relacionamento e minha vida sexual e a maneira como eu vejo as meninas, e eu parei”.  Alguns meninos estavam preocupados que o sexo real estava sendo menos excitante, e eles não gostaram disso. Um menino disse que ele parou de assistir pornografia quando se viu ociosamente imaginando como ficaria uma de suas amigas platônicas com uma ejaculada no rosto.

 

Eita.

Ele não estava nem imaginando como seria fazer sexo com ela. Ele disse que estava tão atordoado que simplesmente parou de assistir.

 

Dado que vivemos em um mundo onde a pornografia é tão acessível quanto vídeos de gatos …

Sim. Talvez mais ainda.

…O que eu digo aos meus filhos?

A maior surpresa para mim como mãe tem sido o quanto agora temos que trabalhar para proteger a imaginação de nossos filhos de sites predatórios e viciantes que querem vender coisas para eles ou vendê-los a anunciantes. Então você tem que estabelecer as bases, ter conversas sobre o que é real e o que não é. Fale sobre como, quando você vê um filme, há violência, mas essa violência é totalmente irrealista. Pornô é realmente apenas o extremo de um problema. Sabemos que essas coisas são falsas, não é assim que as duas pessoas realmente interagem. As crianças precisam ser capazes de contextualizá-lo e desconstruí-lo. Assim como é preciso fazer com outras formas de mídia. Porque sim, todo mundo está chateado com pornografia. Mas as mensagens que recebem da mídia de variedades de jardim são tão irreais quanto – talvez mais.

 

#talkB4 

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